Vegan por Portugal

Vegan por Portugal

sou Vegan ou seja em termos de dieta alimentar não consumo nada de origem animal e a gastronomia Portuguesa não é propriamente Vegan Friendly. Percorrer todo o território nacional a pedalar pelo interior, sujeito à oferta gastronómica adaptada à minha dieta seria de longe o maior desafio de todos. Este post Vegan por Portugal surge do relato em primeira pessoa.

Vegan por Portugal

O objectivo era percorrer toda a Nacional Nº2 desde Chaves a Faro no mínimo tempo possível aproveitando ao máximo o percurso e desfrutar de toda a beleza que este País tem para nos oferecer. São perto de 720km com 9.000 de desnível positivo com os perigos que as estradas nacionais nos possam proporcionar e a particularidade de pedalar durante a noite. Seriam estes os principais desafios e mais um , sou Vegan ou seja tenho uma dieta alimentar onde não consumo nada de origem animal e a gastronomia Portuguesa não é propriamente Vegan Friendly. Percorrer todo o território nacional pelo interior e sujeito á oferta gastronómica adaptada à minha dieta, seria de longe o maior desafio de todos.

Tive em consideração mas não pensei muito pois a experiência assim o ordena e segui viagem apenas com a suplementação desportiva vegetal que uso no meu dia-a-dia. Assim foi, de camioneta do Porto até Chaves e ás 13 horas do ultimo Domingo de Outubro arranquei e começava assim a minha viagem. Não tinha planeado nada, apenas percorrer toda a Nacional 2 a 3ª maior estrada do Mundo, sozinho. Com um alforge e sem carro de apoio, queria ver como iria adaptar a minha dieta á oferta gastronómica. Começava Vegan por Portugal.

vegan por portugal
vegan por portugal

A primeira etapa durou apenas 60kms, a chuva era muito forte e a estrada começou a ficar perigosa. Optei por ficar em Vila Real, onde fiz duas refeições reforçadas com sopa de legumes que me davam as proteínas necessárias. No dia seguinte ao passar por Santa Comba Dão a chuva forte voltou a sentir-se e tive que voltar a parar.

Pelo caminho parei num restaurante familiar, onde na ementa só existia pratos de carnes e peixe, tirando a sopa nada era adequado á minha dieta. Ao abordar a cozinheira expliquei em que consistia a minha dieta e a Sr.ª muito admirada e com um ar penoso por mim questionou “Mas está doente?”, respondi que não que até era uma pessoa muito saudável e estava a percorrer a nacional 2 até Faro , aí voltei a ser questionado “mas é um género de promessa?”, rimo-nos os dois e respondi que o estava a fazer pelo prazer de conhecer o país e ver se estava apto para.

A Srª prontificou-se a fazer um arroz de feijão delicioso com uma salada e uns cogumelos a acompanhar. Foi uma refeição divina e percebi ali mesmo que a gastronomia nacional poderá não ser Vegan Friendly mas os Portugueses são e era nessa amabilidade que iria ter sempre solução, a simpatia que nos caracteriza por este mundo fora e a prontidão para ajudar o próximo seria a chave para a minha alimentação para os restantes km’s que me faltavam.

Depois de passar a chuva, fiz o percurso directo, cheguei a fazer uma etapa de 360km seguidos e em Ferreira do Alentejo descansei 5 horas no quartel dos Bombeiros. Pelo caminho não encontrei uma oferta vegan em nenhum restaurante, nem vegetariana (com excepção em Viseu). Mas tinha do meu lado a referida amabilidade que depois de questionar se estava doente se prontificava a fazer um prato de acordo com as minhas necessidades (arroz de feijão, grão , sopa de legumes,etc…).

O Mundo num só País

Fiquei com muitos registos visuais na minha memória desta travessia por Portugal, recordei a Suíça, França, Nova Zelândia tudo num só país. A Lousã foi o que mais me agradou, o Alentejo é belo e impiedoso, é a recta sem fim com subidas pequenas e intermináveis, por fim a serra do Caldeirão, xeque-mate mental como nunca senti. Pelo caminho recorri a inúmeras mercearias locais onde fazia reforços alimentares entre refeições com fruta e frutos secos.

Pedalar durante a noite foi belo e por vezes assustador, é necessário ir bem sinalizado e muito atento ás bermas da estrada que se encontram danificadas pelos diversos camiões que por ali passam todos os dias.

Entrei no Algarve num fim da tarde com um pôr de sol lindo a acompanhar e achei que estava quase, e estava. Estava km após km na curva e na próxima curva, na subida e na próxima e na próxima subida e a mente já estava neste jogo contra o tempo que me cansava ainda mais e não iria beneficiar em nada. Saber que estava quase colocou alguma pressão e a solução que encontrei ali foi tentar meditar enquanto pedalava, tentei manter o foco em algo que não o cansaço nas pernas, afinal estava quase e era mais uma subida.

Recordo ter parado num café local, para comer uma fruta e tomar um café. Questionei o proprietário sobre a distancia até Faro o mesmo indicou que faltavam cerca de 30km a que respondi que não poderia ser que nas minhas contas faltavam 12, o Srº olhou para mim e cruzando os braços desejou-me uma boa viagem. Voltou a anoitecer e era a segunda noite seguida que pedalava e os frontais já só funcionavam meia luz. Entretanto cruzei-me com mais dois ciclistas, os únicos que avistei durante todo o percurso que me informaram que Faro estava perto.

Vi a placa de 8km para Faro e coloquei um sorriso de orelha a orelha, a nacional neste lugar já tinha imenso trânsito o que contracenava com as horas anteriores onde praticamente era só eu na estrada.

Feita sem percalços, feita a usufruir de toda a beleza que este País tem para oferecer e feita por uma pessoa Vegan que nunca abdicou de uma refeição nem de entrar num restaurante directo á cozinha a solicitar algo que não se encontrava no menu. Com paciência para explicar sistematicamente o que é uma dieta Vegan, que não é doença nem tenho défice alimentar e que posso pedalar 720km em pouco dias. Foi assim a minha Nacional Nº2 a 3ª maior estrada do planeta.

A suplementação que levava foi suficiente e estive sempre bem do estômago, mesmo nas jornadas mais pesadas e durante a noite. Toda a suplementação foi vegan consistindo em isotônico para repor sais e nutrientes, proteína e multivitamínicos.
Agradecer ao grande amigo de infância e grande triatleta Rui Silva que me esperava em Faro, que a olhar para a minha bicicleta disse: “Vieste Nisto?” Assim foi Vegan por Portugal…

Curiosidades:
Total kms: Suunto marcou 677km , na realidade foram 732km
Bicicleta : Focus Variado 2.0 em alumínio
Buzinadelas: 8 ( só em faro foram 5)
Cães a tentar morder: 3 (todos durante o Alentejo)
Sitio mais bonito: Lousã
Melhor descida: Lousã
Melhor subida: Gois
Ciclistas que me cruzei : 2 (já no Algarve)

Boas viagens e GO VEGAN…

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Comment (1)

  • Luca Reply

    Ola,
    sou vegetariano, percebo as dificultades do Portugal, tambem acho que as pessoas são prontas pra cozinhar veg/vegan … mas não sabem e precisam de alguma motivação!
    Obg pela storia!

    8 Janeiro, 2018 at 1:36

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